Friday, May 22, 2009

Contra-Bando - Trabalho Jornalístico (Monção)

Em Lara, aldeia do Alto Minho onde todas as histórias acontecem e se misturam, chegam os convidados, sem saber para quê nem porquê, respondendo a um convite excepcional, a um “apelo da alma”.

A companhia de Teatro “Comédias do Minho”, com o seu Projecto “Contra-Bando”, rompe com o conceito de espectáculo de teatro tradicional, retirando actores, encenadora e uma bailarina do espaço fechado da sala de espectáculos. Desafia-os a representar diversas cenas de outros tempos, vividas pelas gentes do lugar de Lara.

Encenou-se uma peça de teatro onde o cenário é a casa, a mercearia, o armazém, a taberna, a rua… As histórias, que partem da vida das gentes desta aldeia, das suas rotinas, dos seus amores, angústias, alegrias, tristezas, medos e esperanças, alteram a calma e o silêncio das suas ruelas apertadas, dos seus caminhos e recantos escondidos...



O nome desta peça!

O nome “Contra-Bando”, remete-nos para tempos em que homens e mulheres do Alto Minho arriscavam a vida no contrabando de tabaco, azeite, sabão… para contrariar e fugir à miséria, levando mais uns tostões no bolso para alimentar as bocas que esperavam em casa. A escolha do nome tem em conta, também, o significado e essência das palavras, porque este “bando “ de actores juntou-se para “relatar” histórias relacionadas com o contrabando, num trabalho contra as regras tradicionais do teatro. Inovando e rompendo pré conceitos, desafiando pessoas com diferentes formações.

Um projecto comum: uma encenadora, Madalena Victorino, um grupo de cinco actores e uma coreógrafa e bailarina.

Os espectadores são convidados a assistir e fazer parte integrante da história, transformando-se por momentos em actores.

Os conflitos de amigos na taberna. As confidências, os conselhos e os sentimentos de duas mulheres que viam o casamento e a felicidade de forma diferente. A angústia de uma mulher abandonada à solidão à espera que o seu amado regresse com o sonho de uma fortuna. A desconfiança no casamento. O poder do padre, a influência da fé e da religião nas crenças e julgamentos dos habitantes de Lara.

O conflito da consciência de um homem que decide enfrentar os princípios da fé e usurpa os cofres da capela ou igreja da Senhora da Saúde, pagando o seu gesto com a vida. A miséria e a pobreza misturam-se com o amor de pai que, querendo a felicidade do seu filho no seu último alento, satisfaz o desejo de lhe oferecer uma prenda.



As histórias acontecem em ambientes naturais da aldeia, com a ajuda e colaboração de quem lá vive. A mercearia e o armazém do Sr. Vilar, a capela da Dona Judite. Os caminhos e as estradas são o testemunho da surpresa com que os espectadores recuam no tempo e se tornam parte do espectáculo.


Depois de assistirmos ao ensaio surgem as conversas para entendermos a essência do projecto e as motivações dos intervenientes.

Que razões levam uma encenadora que trabalha no CCB a vir trabalhar para o meio rural?
Madalena Vitorino - A necessidade de uma valorização do meu trabalho arrastou-me para este projecto que tinha como aliciante o trabalho com uma nova geração de actores, levando o teatro para fora da cidade!
Este projecto permitiu-me como encenadora trabalhar de uma forma diferente, a improvisação, a interacção do público com os actores e a introdução da dança fazem do trabalho uma incógnita não obedecendo a um diálogo previamente estabelecido com regras definidas

O que acha da experiência de trocar o palco do teatro pela “taberna”… de uma aldeia do interior?
Ainhoa Vidal (Bailarina) - No espectáculo com pequenos grupos tudo tem de ser mais trabalhado, tudo se vê. O pormenor tem de ser estudado e preparado para que tudo seja o mais natural possível e parecido com a vida, os espaços são abertos, o público pode ser “mimado” e convidado a entrar nas histórias. Nos grandes espaços, o palco é um lugar preto e vazio, o tipo de luz muda, o espectáculo é dirigido a grandes massas, o actor tem de ir à procura da luz e do público.

O que o seduziu neste projecto?
Luís Silva
(Actor) – A companhia pareceu-me interessante, com um trabalho ambicioso, decidi sair de Lisboa e entregar-me ao projecto.

O espectáculo decorreu nos dias 21 e 22 de Março com duas sessões diárias. Os alunos do 8ºA da Escola Secundária de Monção foram os convidados privilegiados para assistir ao ensaio geral no dia 20 de Março.

“A experiência proporcionou-nos um contacto com actores profissionais, e permitiu-nos ser parte integrante do espectáculo”. Concluíram.


Ficha técnica:

Repórteres: Ângela Rodrigues, Liliana Alves, Rafael Barbosa, Vítor Gonçalves
Fotografia: Ana Trancoso e Pedro Alves
Redactores: Cristhiane Sonay, Guilherme Ponte e Sandra Machado


Trabalho Jornalístico realizado pelos alunos do 8ºA da Escola Secundária de Monção.

Monday, April 27, 2009

Contra-Bando - Trabalho Jornalístico (Vila Nova de Cerveira)

O projecto Contra-Bando foi a mais recente aposta da companhia Comédias do Minho. Tratou-se de um espectáculo de Teatro-Dança que contou com a prestação de uma excelente equipa de profissionais, nomeadamente, seis actores e uma bailarina: Gonçalo Fonseca, Luís Filipe Silva, Miguel Fragata, Mónica Tavares, Rui Mendonça, Tânia Almeida, e Ainhoa Vidal, sob a encenação de Madalena Victorino (ex-assessora para a área da pedagogia e animação da Fundação Centro Cultural de Belém) convidada pela companhia Comédias do Minho, para tomar em mãos este projecto.

Esta nova produção teatral foi representada nos cinco concelhos que a companhia já mencionada intervém (Vila Nova de Cerveira, Monção, Melgaço, Paredes de Coura e Valença) no caso concreto de Campos, a peça foi apresentada nos dias 13, 14 e 15 de Março de 2009.

Agora, imagine que está em cabanas de pescadores e em volta há vários retratos espalhados com imagens de lampreias e peixes.

O espaço em que decorre toda a acção teatral está bem longe do habitual, sendo um espaço natural que representa o dia-a-dia de pescadores, onde eles guardam todo o material de pesca.


Neste espaço natural está contida a dança onde há uma forte ligação entre o público e o próprio elenco. As barracas dos pescadores foram utilizadas como ninhos de lampreia que não são feitos de pedras roladas, mas de zinco e de emoções. Guardam histórias curtas de água que flamejam na escuridão do rio.

Os actores representam a história de vida das lampreias de forma abstracta através de gestos e de música a acompanhar. E o público funcionou como lampreias prontas a ser pescadas pelos pescadores que são os actores.


Este projecto foi uma ideia inovadora, pois, além da "infiltração artística" em casa das pessoas (como disse Madalena Victorino na Conferência de Imprensa organizada pelos alunos de Música de 9ºano do Colégio de Campos) as pessoas tiveram oportunidade de assistir à peça e trazer familiares e amigos, sendo de destacar a participação popular de associações e colectividades de todo o concelho.

Trabalho jornalístico realizado pelos alunos de Música (9º ano) do Colégio de Campos.

Wednesday, April 1, 2009

Contra-Bando - Trabalho Jornalístico (Paredes de Coura)

O projecto Contra-Bando foi a mais recente aposta da Comédias do Minho. Tratou-se de um espectáculo de Teatro-Dança, que contou com a prestação de uma excelente equipa de profissionais, nomeadamente, seis actores e uma bailarina: Gonçalo Fonseca, Luís Filipe Silva, Miguel Fragata, Mónica Tavares, Rui Mendonça, Tânia Almeida, e a talentosa Ainhoa Vidal, sob a encenação de Madalena Victorino.

Este projecto foi apresentado dentro das casas dos habitantes de determinadas freguesias dos concelhos do Vale do Minho. No caso concreto de Paredes de Coura, desenrolou-se na Seara, Bico, nos dias 27 e 28 de Fevereiro e 1 de Março.

A ideia dos espectáculos serem apresentados dentro das casas, levou a que estas se transformassem em palcos, de forma a haver uma aproximação entre o palco, a terra, artistas, animais e habitantes. Deste modo, os actores transformaram-se em aldeões e os aldeões, transformaram-se em actores: uma mistura que consegue levar àqueles que parecem esquecidos, uma pequena noção do que é o mundo da representação, assim como, arrebatar os actores para a noção do que é a vida rural.



Após ter sido proposto aos habitantes da freguesia a possibilidade das suas casas se transformarem em verdadeiros palcos de teatro, duas simpáticas senhoras, a Dona Esmeralda e a Dona Nilda, abdicaram do silêncio e da solidão em que viviam e cederam as suas casas para que fosse possível a encenação de “Salto da Água” e “A Cozida”.

O “Salto da Água” desenvolveu-se no cantinho de Dona Esmeralda que transmitia uma enorme paz ao público. Por sua vez, a sua casa, em sonhos, transformava-se num rio que ela não conseguia atravessar acabando por se afundar. São sonhos e memórias de Esmeralda, que a encenadora Madalena Victorino tenta transpor para a dança e teatro, recorrendo a vários cenários. Estes identificavam-se claramente com situações do quotidiano rural, sonhos e histórias de Dona Esmeralda. Desta forma, verificou-se a necessidade de recriar vários cenários tais como, a cozinha, o quarto, o quarto de banho, a sala da cruz, a corte do gado e por fim o exterior que, juntamente com uma agradável brisa se tornava no espaço onde os noivos saltavam de uma fotografia e se juntavam aos convidados.

Posteriormente, o espectáculo, designado por “A Cozida”, decorria na casa de Dona Nilda, uma senhora cheia de energia para trabalhar e sempre com um sorriso na cara. Foi encenado o trabalho no campo, a expressão da fadiga estampada no rosto e no corpo, o suor que escorria pela cara de cada um. Deu-se, igualmente, relevância aos animais, nomeadamente, aos cordeiros que após o nascimento eram criados para na altura da Páscoa darem mais uma alegria à gente da casa.

Os produtos caseiros - o chouriço, o pão de milho e a sopa à moda antiga - foram oferecidos ao público, simbolizando uma merenda no final de um dia de trabalho.

De um modo geral, foi uma ideia inovadora que abrangeu um mundo já esquecido da ruralidade portuguesa e que provou como um inocente sonho pode revolucionar a vida recatada de uma pessoa e transformar-se em algo vivido para além do sonho.




Trabalho jornalístico realizado pela turma de Apoio à Infância da Escola Profissional do Alto Minho Interior - EPRAMI Paredes de Coura

Actividade de Exploração Temática da Peça Contra-Bando

Actividade a partir dos géneros jornalísticos

As turmas são desafiadas a acompanhar o ensaio geral da peça na aldeia do seu município.

No contexto de ensaio, encenadora, actores, habitantes da aldeia e alunos podem partilhar as diferentes leituras sobre esta experiência.

Desta forma, e aproximando-se um pouco mais do processo criativo, as turmas terão oportunidade de recolher os elementos necessários para a redacção do texto jornalístico, designadamente testemunhos e fotografias.

Monday, March 2, 2009

Sessão Pública



Na Sessão Pública, que decorreu no Centro Cultural de Paredes de Coura, no passado dia 27 de Fevereiro pelas 11h30, a Comédias do Minho – Associação para a Promoção de Actividades Culturais no Vale do Minho apresentou o Plano de Actividades 2009-2010, bem como, o livro Cinco Municípios, Um Projecto Cultural.
A Sessão Pública teve como intervenientes o Presidente da Direcção da Comédias do Minho, António Pereira Júnior, Isabel Alves Costa, membro da Direcção Artística e Madalena Victorino, encenadora, dramaturga e coreografa da peça CONTRA-BANDO.
Isabel Alves Costa apresentou a programação relativa aos três eixos de intervenção da Comédias do Minho: Companhia de Teatro, aproximarte, e Projectos Comunitários, bem como, o livro Cinco Municípios, Um Projecto Cultural.
Para o ano de 2009 referenciou alguns projectos, como a peça, com título ainda a designar, concebida e interpretada por Gonçalo Fonseca sob a tutoria de François Cervantes. Destacou ainda a encenação de Luís Filipe Silva e Elsa Pereira com texto e dramaturgia de Regina Guimarães.
Focou a importância de se desfazer o equívoco da descentralização relativamente a este projecto citando, assim, algumas palavras de Augusto Seabra:” "Para acabar de vez com os equívocos da "descentralização", é necessário pensar numa multiplicidade de pólos.
Para que pólos sejam é também necessário que tenham irradiação para além da sua primordial inscrição local. Para que tenham irradiação é necessário o eco de uma informação culturalmente responsável - e este é um outro défice que há infelizmente a ter presente quando, de facto, as inscrições culturais no território estão em mutação".(1)
Madalena Victorino explicou o processo que antecipou as “várias partes de um mesmo espectáculo”, bem como, a origem do nome CONTRA-BANDO “ao chegar reuni um “bando” de pessoas que lutasse contra as convenções teatrais para que juntos fizéssemos várias conquistas. Transformar, por um tempo, locais da vida privada e quotidiana em verdadeiros teatros. Usar a matéria de um conjunto de conversas como fonte para a construção dramatúrgica. Ler os corpos e os movimentos do trabalho e dos animais como coreografias involuntárias”.

António Pereira Júnior termina a Sessão com o desejo que a Comédias do Minho possa, neste biénio, alargar o plano de actividades.

(1) in Territórios e discursos, Boa União - Revista do Teatro Viriato, Primavera/Verão, 2007